sábado, 5 de junho de 2010

O Recurso Fácil à Citação - Reflexão Dominical

Pense-se o que se pensar sobre a utilização mais frequente das “caixas de comentários” dos blogues, eles são curiosos e reveladores, em termos de sociologia cultural, sobre o estado do recalque político entre os incontinentes do insulto. Mas têm de ser considerados na sua escala e com o devido desconto porque, felizmente, não se podem extrapolar para todo o estado cívico da Nação. O recurso fácil ao anonimato (tout court ou pela multiplicação de pseudónimos) e a excitação do teclar fácil, rápido e fulminante, incrementam o funcionamento dos neurónios mais para os lados do ódio, do insulto, do preconceito, do estereótipo e da prosápia, enfim da preguiça e da degradação intelectual, que para o exercício do humor, do debate e do prazer do contraditório pela aferição com risco do fundamento das certezas de cada um. Mas sempre foi assim, disparar e ofender foi sempre mais fácil que rebater com argumentos, respeitando o adversário político. E o que a blogosfera acrescentou à ancestral atracção pela facilidade no panorama de uma culturalização recente e lenta foi a rapidez e a impunidade. Portanto, não é um drama, é uma evidência. Ou, se preferirem, uma “evolução tecnológica” no pior da nossa idiossincrasia, mas que é parte dela, sem dúvida.

João Tunes no Vias de Facto (excerto)

Da Literatura Portuguesa

Tendo sofrido alguns desaires, na leitura militante de novos autores portugueses, há alguns anos que me deixei dessas aventuras.
Mas, aqui há dias na Culturgest, num ciclo de conferências designado Alterações, Helena Buescu falou sobre a literatura portuguesa em "Experiência e Insignificância". E alertou para dois novos escritores - José Maria Vieira Mendes que eu já conhecia do teatro e João Tordo.
Foi assim que fui parar ao Hotel Memória.
E veio-me à memória Paul Auster.
E continuarei a ler Tordo.

Perturbações Sortidas



"É também por isso que mente sem vergonha e nunca, ao longo da sua vida pública, e também da sua vida privada, se sentiu ou sentirá tolhido por qualquer escrúpulo ético."


Zé Manel (Fernandes, ex-director do Público)

*

Sócrates não teve, nem terá, qualquer imperativo ético, seja na vida pública ou na privada. Kaputt, finito, over and out. Provavelmente nem será humano, tal a malignidade que transporta no seu interior. Isto dito pelo cidadão que ofereceu o seu jornal para campanhas de assassinato de carácter e para uma conspiração destinada a influenciar as eleições Legislativas com origem na Presidência da República. Isto declarado pelo caluniador que foi desmentido pelo presidente executivo da Sonaecom acerca da alucinação onde se imaginava a causa do falhanço da OPA belmiriana sobre a PT. Vale tudo no reino da pulhice.

É interessante, do ponto de vista zoológico, ver a perturbação que Sócrates conseguiu infligir, bastando continuar igual a si próprio, num público-alvo determinado: canastrões na casa dos cinquenta, sessenta e setenta que têm o rei na barriga e se apresentam completamente desmiolados. Seja como for, quando a opinião tece considerandos difamatórios acerca da vida privada, ultrapassou-se o Rubicão.

Não sei o que o Zé Manel sentiria se fosse alvo de uma acusação que atingisse as suas relações pessoais, familiares e de amizade, que não tivessem qualquer ligação com os conflitos e polémicas nascidos da actividade profissional e política. Mas sei que atacar o carácter de alguém é uma exuberante manifestação de impotência. Geralmente, só calhandreiras e ressabiados é que têm estômago, e tempo, para andarem pela cidade a bater merda com dois paus.

Val no Aspirina-B

Exemplos Exemplares

O eurodeputado português Rui Tavares anunciou hoje o lançamento de bolsas de estudo que cobrem várias áreas profissionais, financiadas com 1.500 euros mensais a partir dos seus próprios rendimentos.

Do Público on-line

Io Sono L'Amore - Uma obra-prima

Ver aqui no Sound+Vision

Oito & Oitenta

Como nós vemos Israel e como Israel nos vê a nós
António Jorge Gonçalves

quinta-feira, 3 de junho de 2010

As Trapalhadas do Público


A propósito do problema israelo-palestiniano o Público de ontem citou Amos Oz, o autor entre outras do interessantissimo "Uma história de amor e trevas". Só que na apresentação do esvritor refere ter sido galardoado com o Nobel o que me parece incorreto.
Será que o jornalista tem a certeza ou se deu ao trabalho de confirmar o facto?
Mas há mais.
Ao anunciar a edição em dvd do mediano "Nas Nuvens" refere que o filme foi "vencedor de seis óscares da Academia, incluindo melhor filme e melhor actor".
Poderá ter ganho estes óscares, não seguramente na Academia de Hollywood.
Será que o jornalista tem a certeza ou se deu ao trabalho de confirmar os factos?
O Público errou.E hoje ainda não tinha corrigido os erros.
E os jornalistas do Público se erram devem ser castigados.
Assim interpreto o discurso do patrão Belmiro.
Se assim deve funcionar para os governos (em especial para aqueles que não fazem fretes à Sonae) terá de funcionar em casa do grande investidor.
Os jornalistas do Público vão apanhar uma palmatoadas.
Vão...Vão.
Olhem que ele até mete medo!

Mercados

Á medida que a desigualdade aumenta e os super-ricos no topo da escala social gastam cada vez mais em bens de luxo, o desejo de possuir bens dissemina-se como uma torrente pela escala de rendimentos e o resto da população debate-se para conseguir competir e manter-se a par. Os anunciantes publicitários jogam com este sentimento, tornando-nos insatisfeitos com aquilo que temos e encorajando comparações sociais discriminatórias.


Richard Wilkinson e Kate Pickett em O Espírito da Igualdade Editorial Presença Abril, 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Albinoni- Adagio in G Minor

Uma História de Amor e Trevas

"Estamos em vias de nos tornarmos o Estado pária do mundo"

"Não é apenas uma questão de imagem, é um desastre moral para Israel. Este bloqueio imposto a Gaza não serviu para absolutamente nada"

Amos Oz, notável escritor israelita, em declarações à imprensa a propósito dos últimos acontecimentos no conflito israelo-palestiniano.

Mamãs e Bébés

Cuido já estar inscrita na memória histórica das cidadãos (cf. Vias de Facto) a célebre epístola de Vasco Pulido Valente (VPV) a Clara Ferreira Alves (CFA). Serviu acima de tudo para lhe enfiar umas chapadas de capital simbólico e insultá-la pelo que facto de, tal como ele, não ter Pulido Valente no apelido (palavra de honra) e, ao contrário dele, não pertencer àquela elite rançosa e tribal de Lisboa. Nestas merdas – o que por exemplo não acontece com o terrorismo israelita e a resistência islâmica – sei de que lado estou: torço pela Clara até às últimas consequências e i got a feeling de que não sou o único, embora a crítica ressabiada (mas muito à vontade com Agamben) não se encontre propriamente em vias de extinção. Portanto, apoio incondicional à Clara – tal como o BE procedeu com Alegre – e, se for preciso, retiro o terço de madeira que tenho no retrovisor do carro e enfio lá uma placa com o seu último grande desabafo: «eu pessoalmente estou farta de dar o meu contributo para salvar a Pátria». Como eu te percebo, bebé.

Excerto de um texto de Tiago Ribeiro no Cinco Dias

Sobre o Famigerado César das Neves



só um padreca inexperiente e inculto poderia menosprezar os preliminares e declarar que vivemos no "totalitarismo do orgasmo". o que não deixa de ser uma expressão fabulosa.
 
João Morgado Fernandes sobre um "textículo" de João César das Neves

Israel


segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Ètica da Responsabilidade (III)

Não concordo com o apoio do PS ao candidato presidencial Manuel Alegre.
Não gosto do ex-oposicionista, não gosto do ex-governante, do politco, do poeta e do romancista.
Em suma, não gosto do Manuel Alegre, da sua tonitruância, do seu pedantismo.
Tudo isto é mais que suficiente para não querer votar nele, excepto se ou quando o seu único opositor for o execrável Cavaco.
Considero senhores de uma hipocrisia gritante aqueles que, ao relevarem a alta craveira de poeta e romancista, estão, ao fim e ao cabo, insinuando que se trata de um mau politico.
Mesmo como poeta e romancista ou contista Alegre é mais que vulgar.
Mesmo nos tempos em que a sua poesia pretendia ser uma arma contra o regime salazar/marcelista.
Tudo aquilo não passava de patrioteirismo lamechas!

domingo, 30 de maio de 2010

No Facebook

António Jorge Gonçalves

A Ética da Responsabilidade (II)

Sou dos que não concorda com o apoio do PS a Manuel Alegre.
Por muitos erros que o PS tenha cometido não merece ter este senhor com candidato a PR.
Teria toda a lógica que Alegre se confinasse à extrema-esquerda.
Mesmo assim tenho dúvidas.Não merece o empenho e honestidade de muitas que por lá andam.
Um homem que, politicamente nada fez a não ser arratar-se, de quando em vez, pelos corredores de S.Bento e fazer algumas declarações irresponsáveis e tonitruantes.
Ao contrário do caquético Almeida Santos não acho que seria grave problema o PS não ter candidato.
Alguma vez seria a primeira em que o partido daria liberdade de voto.
Nesta conjuntura seria o mais honesto e adequado.
Nem que fosse votar em branco!

A Ética da Responsabilidade (I)

Primeiro foi Cavaco, ao anunciar, com desnecessária pompa, a promulgação do casamento entre homossexuais.
Agora vem Sócrates falar em ética da responsabilidade ao anunciar o apoio do PS ao candidato presidencial Manuel Alegre.
Na realidade estamos perante muito pouca responsabilidade.
E ainda menos ética.
Por outro lado não falta calculismo e hipocrisia.

Zucchero + Luciano Pavarotti - Miserere

Cuidado Com O Bagão! (?)

Consta que "alguma" direita anda a ameaçar Cavaco com uma candidatura ainda mais à direita por via da promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Alguém me disse hoje que o cardeal-pratriarca também terá feito alguns "reparos" algo pesados.
Contudo, e apesar de, como alguém já disse, estarmos a falar da direita mais estúpida do mundo, não acredito que essa candidtura-alternativa seja para levar a sério.
Estão muito bem servidos com Cavaco, politica e culturalmente falando.
Estou mais inclinado para uma outra versão da "estória".
Há que dar um impulso a Cavaco.
Há que enfatisar que sacrificou as suas convicções pessoais em prol da "ética da responsabilidade".
Mesmo que com isso arrostasse com as críticas da santa madre igreja e dos católicos.
Os sacrificios que ele faz,coitado, pela "estabilidade" do país!
Por tudo isto parece-me que estamos perante mais uma manobra de agências de comunicação.
Em estreita colaboração com as famigeradas "fontes"...de Belém.

sábado, 29 de maio de 2010

O Direito de Manifestação

Cientista&Jardineiro

"Cépticos como os cépticos, crente como os crentes. A metade que avança é crente, a metade que confirma é céptica.

Mas o cientista perfeito é também jardineiro: acredita que a beleza é conhecimento."
Gonçalo M. Tavares

(in Breves Notas sobre Ciência, Ed. Relógio d'Água, 2006

Enquanto Isto...

...há cerca de uma hora Maria Flor Pedroso, na RTP-N, pública, debatia com alguns jornalistas muito importantes o assunto dramático de determinar qual o momento preciso em que o primeiro-ministro soube que a Moura Guedes ia saír dos écrans da TVI - Mais meia-hora, menos meia-hora.
Fundamental, como Fátima, Futebol e Fado.
E assim vão ganhando a (sua) vidinha.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quem Fala Assim Não Pode Ser Jornalista do Público

Carlos Zeuxis Paim


«Quando alguém mete ao bolso uma coisa que não lhe pertence dizemos que a roubou. Mas há justificações para meter coisas ao bolso. E diferentes nomes para usar nas várias circunstâncias, conforme o estatuto social e político dos autores. Uma senhora bem vestida que meta na carteira um perfume, numa loja elegante, distraiu-se — e um engano toda a gente tem. Uma mulher que o faça num supermercado suburbano comete um furto que a sociedade não pode permitir. E um banqueiro que esconda num offshore os milhões que ganhou por vender títulos tóxicos aos incautos clientes é um pilar da sociedade que contribui para o desenvolvimento económico. Esta é a base da sociedade e querer subvertê-la é fomentar o caos e a anarquia. E o sistema judicial existe para garantir a sua subsistência....

....[...] As medidas de contenção das prestações sociais recentemente apresentadas pelo Governo no âmbito do PEC têm de ser lidas à luz da mesma lógica, que distribui direitos e deveres de acordo com os méritos das pessoas: seria impensável pedir a pessoas de posses, a pessoas de qualidade, a pessoas daquelas de que o país não pode prescindir, que pagassem a crise provocada pelos actos de contabilidade criativa que os corretores e os banqueiros fizeram nos últimos anos e pelos buracos orçamentais criados para colmatar os défices dos bancos. Como o seria combater a fuga de capitais para os paraísos fiscais, ou a fuga ao fisco de pessoas que não sejam trabalhadores por conta de outrem. Tratar-se-ia de uma violência psicológica insuportável. [...]»



Excertos de um texto de José Vitor Malheiros, no Público,citado por Eduardo Pitta no Da Literatura

BB, Falta o Principal - Cavaco!


A lista de cúmplices desta barbaridade é enorme. Andam todos por aí. Guterres trata dos famintos do Terceiro Mundo; Barroso, dos "egocratas" de barriga cheia; os economistas que nos afundaram tratam da vidinha, com desenvolta disposição. Nenhum é responsável do crime; e passam ao lado da insatisfação e da decepção permanentes, como cães por vinha vindimada".




Baptista-Bastos, "Diário de Notícias", 26-05-2010 (Citação do Público)

Os Mercados Delegaram nos Partidos...