quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Selvajaria Social



O deputado do PS, João Galamba, fez hoje um violento ataque a Vítor Gaspar, que acusou de "selvajaria social": "O senhor ministro é um irresponsável e vai destruir este país", disse João Galamba, durante uma reunião da comissão permanente da Assembleia da República, com a presença do ministro das Finanças. "E tem o dever de recuar nesta experiência social que é uma catástrofe para o país".

Chamando "governante perigoso" ao ministro das Finanças, João Galamba encheu o seu discurso de críticas à atuação de Vítor Gaspar, dizendo que são preocupantes "a cegueira e o fanatismo da receita" aplicada à economia nacional.

Do blogue Câmara Corporativa

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Sonho de Pedro Passos Coelho

 
 
“Se os deficientes não tiverem uma família que possa suportar o custo da sua assistência não se pode atirar o fardo para cima da sociedade”
“Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar, e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventados quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar - mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazer algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto) votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.

Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portar-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à élite.”
 
José Vitor Malheiros no Público

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

domingo, 2 de setembro de 2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cortes & Recortes

Vacas



A ausência de referência à gaffe de Marcelo pode ainda dever-se ao estatuto de “vaca sagrada” conquistado pelo professor, a quem os media recorrem com frequência para comentar os assuntos mais variados, não desejando, por isso, criticá-lo.

Estrela Serrano (Excerto)

Grandes Líderes

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

domingo, 19 de agosto de 2012

sábado, 18 de agosto de 2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ditosos Filhos Que Tal Pátria Têm


Esta semana dedico-me a um homem muito injustamente atacado. Tido por tolo, palhaço, ou mesmo anti-democrático, não parece ser qualquer daquelas coisas, embora possa ser uma delas.
Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim, nascido do casamento de Marceliana do Patrocínio com Alberto Jardim a 4 de Fevereiro de 1943, é um jurista português a quem a vida empurrou para a política. A sua preparação jurídica ficou atestada pelos mais de dez anos que passou a cursar Direito em Coimbra, tendo em comum com os pilotos das linhas aéreas para o Japão o facto de ser de “longo curso”. Como militar, nos tempos da guerra colonial, mostrou especial bravura e dedicação à pátria como oficial de acção psicológica no Funchal e em Lisboa. Embora não se possa afirmar que sofra de stresse pós-traumático de guerra, alguma coisa, por certo, há de ter nesse foro psicológico.
…Como o grande Camões já previa na estrofe que dedica à Madeira (Canto V), também Alberto João é “mais célebre por nome que por fama”, uma vez que é quase certo ter muito mais proveito do que a fama que tem tido.

Comendador Marques de Correia no Expresso

terça-feira, 31 de julho de 2012

Encostados A Um Canto


…É quando Pedro Ferraz da Costa diz, com aquele ar perpetuamente zangado e enjoado com o mundo, que é preciso acabar com 100 000 ou 200 000 empregos na função pública, sem problema nenhum, porque o Estado vai continuar a funcionar na mesma. É que não é análise, é desejo. É quando se defende um mundo que funcione para as “empresas” – uma abstracção funcional porque o que eles querem dizer é outra coisa – sem ter que emperrar porque há leis, direito e direitos, instituições e eleições, interesses outros que não os das classes “certas”. Quando esse discurso, bruto e sem ambiguidades, veio ao de cima com a decisão do Tribunal Constitucional, percebemos bem a raiva.

No meio disto tudo, Passos Coelho fornece outro produto, mais à sua dimensão de executante, mas que também transporta alguma desta raiva. É quando Passos Coelho diz que “não estamos a exigir de mais”, como se fosse pouco o que se está a “exigir” e ainda não levaram em cima com a dose toda .É quando avança com mais uma comparação moral que mostra o imaginário onde estamos metidos; não podemos correr o risco de nos cruzar com os nossos credores “nos bons restaurantes e boas lojas”. É mesmo isso que os portugueses andaram a fazer nos últimos anos, a comprar malas Vuitton e sapatos Jimmy Choo!

Passos dizia que as pessoas “simples” percebiam isto, porque de facto para ele as coisas são assim simples. Então como é que nos devemos “cruzar com os nossos credores”? De alpergatas, vestidos de chita, trabalhando dez horas por um salário de miséria? É que não é preciso andar muito tempo para trás para ter sido assim. Ainda há quem se lembre. Deve ser por isso que é preciso “ajustar”…
José Pacheco Pereira no Público

Tempos Modernos