terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Prós & Contras



Fado, Futebol e Fátima...Campos Ferreira

Absolut Alegre


Ao dizer que tem uma quota da maioria absoluta de Sócrates o deputado Manuel Alegre está a tratar o PS como uma sociedade por quotas e está convencido de que a quota de cada militante varia em função da sua notoriedade. Só não explicou se a sua quota na maioria absoluta é maior ou menor do que as suas quotas em todas as derrotas do PS.


Tristeza Branda

Vick Muniz


Num dia destes de tristeza mansa
cansado já de tanto experimentar
eu que só ainda me não matei
talvez gostasse de me matar

Mas se por ventura me desse mal
que ao menofosse licíto voltar
Ver os amigos e os inimigos
e pelas ruas outra vez passar

Mas agora que cantei, da tristeza
não observo já os mais leves traços
e a minha maneira de me matar
é deixar cair ambos os braços


Ruy Belo, Homem de Palavra(s)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Primeiro-Ministro Propagandista, A Compositora Abnegada E O Subsídio Dela


“Nunca gente que ocupou o Ministério da Cultura conseguiu perceber que a sua principal responsabilidade era o património. Por uma razão óbvia: as clientelas que pedem (ou, mais precisamente, exigem) dinheiro ao ministro, ou à ministra, vêm do teatro, do cinema ou de outras formas de espectáculo, enquanto, por definição, ninguém ou quase ninguém fala pelo património…”
Vasco Pulido Valente, Domingo, no Público

As minhas fontes vão ser o Público de Sábado e a “Blogosfera”.
Em primeiro lugar partamos do princípio que Paula Azguime e Paula de Castro Guimarães são uma e a mesma pessoa.
Alguns blogues embandeiraram em arco referindo que uma “compositora” abnegada tinha interrompido uma sessão de propaganda do governo invectivando o primeiro-ministro que fazia o lançamento de estágios profissionais no estrangeiro para jovens “artistas” de idade inferior a 35 anos.
E o que fez a abnegada artista? Criticou Sócrates por estes programas se dirigirem apenas a “jovens” e questionou sobre o apoio “àqueles que têm mais de 35 anos”.
Fiquei logo abismado. Então não é suposto que a maioria dos que têm mais de 35 anos deveriam governar-se a si próprios de modo a serem verdadeiramente livres?
Não deveriam lutar pela vida buscando apoios mecenáticos e de outros tipos?
Mas mais admirado fiquei quando soube que Paula é directora da Associação Cultural Miso Music Portugal (que penso ser formada em conjunto com um seu familiar) recebendo “duzentos mil euros por ano de apoios governamentais”.
E nós, não teremos o direito de saber o que faz a dita Associação?
E onde gasta os dinheiros públicos que lhe são atribuídos?
Talvez fosse de grande utilidade que Paula nos contasse o que anda a fazer.
A propósito, alguém conhece alguma “composição” da “compositora”?

domingo, 11 de janeiro de 2009

Anda (Agora),Pacheco!


Parece que a Presidência da República enviou uma carta a Pinto Balsemão a fazer queixa de Mário Crespo por este ter acusado Belém de usar os meios de comunicação social para fazer política rasteira. Curioso é que não enviaram nenhuma carta ao próprio Mário Crespo.
Imagino o que diriam os Paulos Rangéis, os Pachecos Pereiras e as Ferreiras Leites deste país se fosse Sócrates a queixar-se de um jornalista, por exemplo, da RTP ao patrão da estação de televisão pública. Ouviríamos, de certeza, o discurso da "claustrofobia democrática" e outras acusações de autoritarismo e tentativa de controlo dos media! Aliás, todos nós nos lembramos das acusações que choveram (nos media e na blogosfera) sobre o episódio da Lusa, em que não poderia usar uma certa palavra nos seus takes.
É a hipocrisia no seu esplendor.


Ricardo S. no Pátio das Conversas

A Corja


Há quem diga que Cavaco sempre desprezou o PSD o qual lhe terá servido exclusivamente para se guindar ao lugar de Primeiro-Ministro e Presidente da República.
Se assim é, tem agora a retribuição.
Para onde quer que se vire, não tem amigos.
É intriga por todo o lado.
Em Belém ou nos jornais os amigos só lhe pregam partidas.
Ao ponto de termos desmentidos de Belém dia sim, dia não.
Nestes casos não se poderá culpar as “centrais de intoxicação” do governo?
E então, por onde anda a verdade e a transparência?
Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço.
Cavaco, tão politico quanto os outros!

A TV A Preto E Blanco


Arte e televisão não têm nada a ver.
Digamos que é comparar merda com ervilha de cheiro.
Rita Blanco no Expresso

sábado, 10 de janeiro de 2009

E Agora, um Máximo Histórico, A Não Perder!


Os balanços produzem passado sem tempo
Agora, que já passou a semana do ritual dos balanços anuais, devemos olhar com alguma distância as ilusões que se exibem nesse exercício que transforma em fantasmagoria o que se passou ao longo de um ano. Tal exercício é uma caricatura daquela “doença histórica” diagnosticada por Nietzsche, e á qual atribuía o efeito de esterilizar e aniquilar as forças criativas. Estes balanços anuais servem para produzir aquilo que a nossa época produz com mais abundância e euforia: passado, história. Consciente disso Robert Rauschenberg reivindicou uma vez “mais tempo, menos história”. Mas a ilusão dos balanços, baseada na ideia de uma perpétua actualização da história, para a qual há cada vez menos tempo, só pode ser compreendida tendo em conta uma outra fantasmagoria: a do “novo”, do inédito, do que nunca aconteceu antes, em todos os domínios. Os balanços produzem a ilusão de que tudo está sempre a recomeçar, de que assim estamos a chegar a horas à nova época, de que não perdemos nada. Mas aquilo que se apresenta como uma ocasião, irá novamente ser transformado em passado antes de fazer efeito.

António Guerreiro no Expresso

Por Muito Que Lhe Custe...


«A dr.ª Manuela Ferreira Leite “desafiou” o eng. Sócrates para um debate na televisão sobre política económica. Augusto Santos Silva rejeitou imediatamente a ideia. O primeiro-ministro, disse ele, debate com a oposição na Assembleia da República e em mais parte alguma; e não é culpa do Governo que a dr.ª Ferreira Leite não seja deputada. Por muito que nos custe, Augusto Santos Silva tem razão. Excepto em campanha eleitoral, nenhum primeiro-ministro aceitou até hoje o género de proposta que Ferreira Leite resolveu fazer. E nenhum a deve aceitar. Não se põe de parte, ou subalterniza, um órgão de soberania por causa da conveniência ou do estatuto de um qualquer indivíduo. O regime precisa de mais dignidade, não precisa de menos. E o destino do país não se pode decidir entre uma telenovela e um concurso.
A situação de Manuela Ferreira Leite não é, de resto, única. Que me lembre, antes dela, Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes (por um tempo) também ficaram de fora. Isto em certa medida mostra o amadorismo ou, se quiserem, o diletantismo das grandes personalidades do PSD. Mas não só delas.
Desde o princípio que não houve coragem para estabelecer, como em Inglaterra, a regra simples de que os membros do Governo (do primeiro-ministro para baixo) e das direcções dos partidos saíam obrigatoriamente da Assembleia. E o resultado foi que a Assembleia se tornou, em grosso, um repositório de mediocridades, colectivamente subordinada aos privilegiados que de facto mandam. O deputado médio é hoje um triste figurante, sem influência e sem prestígio e, sobretudo, sem futuro.Pior ainda: os governantes, tanto do PS como do PSD, vêm vulgarmente de um pequeno círculo de notáveis da universidade, das profissões, do alto funcionalismo e do sector privado. São gente que não quis sofrer o anonimato e o tédio do Parlamento, que traz sempre consigo uma deformação corporativa e que, às vezes, representa interesses privadíssimos.
Depois da última derrota do PSD, a dr.ª Manuela Ferreira Leite escolheu, salvo erro, trabalhar num banco. [o espanhol Santander Totta] Estava no seu direito. Mas não está agora no direito de exigir que o eng. Sócrates, por puro masoquismo, a compense de uma escolha errada. A política é mais do que uma profissão, é uma vocação de serviço. Quem se reserva para servir na forma e nos termos que lhe agradam diminui a política e não merece uma especial simpatia.»


Vasco Pulido Valente, hoje no Público

Guerras Santas


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Se Calhar Não Tinha Sido Má Ideia


Votos Trocados

Pergunto-me se não teria sido melhor para o governo ter deixado aprovar as propostas de suspensão da avaliação dos professores apresentadas pelas oposições.Os críticos não podem pensar em tudo...


José medeiros ferreira no Bicho Carpinteiro

O Segredo Mais Bem Guardado


Manuela Ferreira Leite disse que o primeiro-ministro conhece as propostas do PSD.
Provavelmente foi ela que lhe disse e pediu segredo.
Ou então fez suas as propostas do PS.


Ingovernar


…A política de reformas e a própria necessidade de cerrar fileiras para enfrentar os tempos difíceis que aí vêm encontram pela frente uma grandiosa e organizada resistência de vários interesses contraditórios confluentes: a cartilha leninista do PCP, seguida á letra pelos sindicatos que lhe prestam obediência, num quadro político que hoje é verdadeiramente terceiro-mundista; a resistência tenaz de todas e cada uma das corporações em aceitar abrir mão de privilégios imorais e insustentáveis para o país; a cumplicidade activa de um corpo judicial que ignora como funciona o país real e que protege das reformas tentadas todas as outras corporações, com receio de que finalmente chegue a sua vez; a atitude acrítica de muita imprensa que adora a rua e o conflito como fonte de notícia e a quem os sindicatos e as corporações servem prestimosamente variadíssimas photo-oportunities e motivos de primeira página; e, enfim, a absoluta falta de sentido de Estado das oposições e, em particular, do PSD, que não resiste à mentalidade de que quanto mais complicada for a vida do governo melhor é para eles. Todos partilham da crença suicida de que pior do que tudo é o país pode tornar-se governável….


Miguel de Sousa Tavares no Expresso

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Contemporâneos - ...Compras...Manuela Ferreira Leite

O Verdadeiro Candidato

Insuspeito


Foi a mais aguerrida, sistemática e bem estruturada entrevista feita até hoje a este primeiro-ministro. Ainda assim, Sócrates aguentou-se. Contrariado, por vezes agastado, mas aguentou-se.


Daniel Oliveira no Arrastão citado por Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas...

Os Vazes e os Paixões Assinalados


Turismo Com Nota Negativa Em 2008

O ano de 2008 foi pior do que o de 2007 para o sector do turismo e as expectativas para 2009 não são muito melhores. O ideal seria um Mundial de Futebol na Península Ibérica, na opinião de especialistas do sector.


TSF on line (destacado da minha responsabilidade)

Pedro Leal Filipe na Galeria Novo Século


De 10 de Janeiro a 21 de Fevereiro. Vernissage hoje às 22h00.

Crónica Feminina?


…Por uma série de razões muito pouco racionais, o português ama e odeia, em simultâneo, os poderosos, e tende a desconfiar das maiorias absolutas. Pode concedê-las, de vez em quando, por desespero, mas depois desata a maldizê-las. Facilmente cai na candura de pensar que, aumentando a força do contra-poder, aumentará a qualidade da democracia. Na prática, executivos minoritários são, de facto, muito menos eficientes – metade do tempo e da verba que deviam gastar a governar, gastam-nos a negociar lugares e prebendas com a oposição, para conseguir que as suas políticas não sejam vetadas. E governar torna-se, assim, um dispendioso jogo do empurra: se determinadas medidas não foram tomadas, foi porque os outros meninos não deixaram. Com a agravante de que o menino que melhor souber chorar sobre o leite derramado, ou fazer esquecer o leite que ele próprio derramou, é demasiadas vezes o vencedor.

Inês Pedrosa no Expresso

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sinais


Um Homem Feliz

O que mais notei na entrevista é que José Sócrates gosta mesmo daquilo. Gosta mesmo de ser primeiro-ministro. Gosta mesmo de mandar. Depois de três anos disto ainda não está farto e a coisa continua a dar-lhe gozo. Pode parecer pouco mas se olharmos para trás é admirável. Cavaco fartou-se. Guterres desistiu à primeira e Barroso fugiu. É certo e sabido que todos os políticos gostam imenso de lá chegar. O problema é o resto. O país não se governa nem se deixa governar e nesse sentido ser primeiro-ministro é como ter um Alfa Romeo. José Sócrates é diferente. E eu tenho dúvidas que isso seja bom sinal.
ADENDA: Até Manuela Ferreira Leite, que ainda não foi eleita para o cargo, tem ar de quem está farta daquilo. E isso nota-se. E de que maneira.

Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada

O Rodrigo tem dúvidas que isso seja bom sinal.
Agustina há muito disse que para bem se exercer o poder é fundamental que se goste de o exercer.
Caso raro em Portugal.
Logo, um óptimo sinal!

As Prendas do Dia de Reis


O Novo Provedor de Justiça


Li aqui há dias que, finalmente ao longos de muitos meses, o PS e o PSD tinham acordado que o novo Provedor de Justiça, não deveria ser uma personalidade de qualquer dos dois partidos mas sim uma figura "neutral".
Neutral...neutral...lembrei-me do Pedro Mexia.
Não está mal lembrado, pois não?

Prémio 2008 TV Olho Vesgo


Vai para o "critico" Eduardo Cintra Torres, aquele que está sempre, sempre ao lado da TVI ( que por lá ter Pina Moura iria ser um "pau mandado" do poder socialista).
O tal que não gosta de Malato nem de Catarina Furtado, provavelmente porque terá preferência por Goucha e Julia Pinheiro.
O "critico" referiu que é "a informação da TVI em geral a melhor, por estar do lado do espectador e não dos poderes...".
Este "estar ao lado dos espectadores" deve ler-se do lado da demagogia e do populismo.
Mas para o PSD é discurso suficiente - mais a mais enche duas páginas do Público.
Lá chegará a Presidente da RTP. Só não sabe quando...

O Miguel Esqueceu Que Eles Só Falam Dos Blogues De Élite


Alfa,Beta,...

Dei por mim a achar que tanto o Daniel Oliveira como Pacheco Pereira (que nunca leio: cheguei lá via Daniel, que leio sempre) apresentam um retrato da blogosfera que reconheço - mas onde não me reconheço. Estão ambos - a partir de posições diferenciadas, claro - a falar de uma certa blogosfera, que em Portugal começou e se instalou muito em volta do universo jornalístico e, dentro deste, do comentário político que ou não é feito nos jornais ou não pode ser feito nos meios políticos institucionais. Não será essa certa blogosfera - e por favor não levem a mal, sim? - um bocadinho assim tipo macho alfa (mesmo quando o papel é cumprido pela ocasional fêmea)? Daí a competição renhida, as contagens de estatísticas, a compulsão na postagem, o desbragamento nos comentários, o mentidero blogosférico, a semelhança com o jogo partidário e até futebolístico? Seja como for: há outras blogosferas, muitas, milhares, onde as pessoas comunicam, criam redes, debatem ou simplesmente (re)(a)presentam-se. O universo restrito que se representa a si mesmo como A Blogosfera deveria passar uns fins-de-semana navegando por blogs de bebés, culinária, jardinagem, freixodespadacinta, famílias, amigos, etc.
(Deve ser por isto, por esta desidentificação com A Blogosfera, que me custou um bocadinho, logo ao entrar para o jugular, “apanhar” com um certo clima de diatribe entre este novo blog e o Cinco Dias. Mas, enfim, isto passa: paulatinamente avanço com o meu estatuto de macho beta


Miguel Vale Almeida no Os Tempos Que Correm

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O Espanto da TSF


"Entrevista de Sócrates merece nota negativa de toda a oposição."
Gostaria de saber o que é que a TSF esperava.
Que tivesse nota positiva ?
De quantos e quais partidos da oposição?
O homem que mordeu o cão ou o cão que mordeu o homem?
Para notícias como esta nem precisam de ir até ao fim do mundo.
Fiquem quietinhos ou melhor, mortinhos na Matinha!

Prémio 2008 TVBenzocas LGBT


O Prémio 2008 TV Benzocas LGBT (Lux,Gambrinus,Bica do Sapato,Tavares) vai para O Eixo do Mal.
Um portento de irresponsabilidade.

Fontes de Belém Mudam de Morada


Segundo fontes bem informadas que pediram o anonimato, as famosas fontes de Belém mudaram recentemente de morada.
Agora estão sediadas na Rua Viriato nº13.`
É Público e notório!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A Grande Crise da Fé


Simplificando muito, o capitalismo, na sua expressão pura e dura, era a única salvação, sobretudo depois da queda do muro de berlim. Agora, já não são, apenas, os anticapitalistas do costume a verem nele o caminho da perdição. Quem esperava ter o paraíso garantido para sempre, sentiu-se atirado para as trevas exteriores, onde só há choro e ranger de dentes, a molrte de toda a esperança.

Para quem acredita que fora do capitalismo não há salvação, a tarefa mais importante consiste em restituir a fé e a esperança nesse sistema para salvar aeconomia de mercado. A fórmula pronta a servir, diante do fracasso da sua auto-regulação, é a ética aplicada. Como a ética não é um produto natural- para não deixar tudo à arbitrariedade subjectiva-, são precisas leis que regulem a vida numa sociedade democrática. Como asa leis precisam de ser aplicadas, é necessária a supervisão para saber se estão a ser bem aplicadas ou não. Como numa sociedade laica não se confia a Deus a supervisão, é preciso fé nos seres humanos e no funcionamento das instituições. Como estes e estas são falíveis, e preciso o recurso à polícia, aos tribunais e às cadeias. Como a justiça não tem formas automáticas de funcionamento, também é preciso fé na justiça, fé no estado. Diz-se que , quando nada disto funcionar, ainda resta o desespero e a violência.


Frei Bento Domingues no Público (excerto)

domingo, 4 de janeiro de 2009

Bem Prega Frei Tomás...


Para lá da crise, sobre a qual repetiu os lugares-comuns da praxe, de que ninguém discorda e toda a gente aplaude,Cavaco, por uma vez, disse o essencial : "Portugal gasta em cada ano muito mais o que aquilo que produz". Por outras palavras, os portugueses vivem acima dos seus meios, com o que pedem emprestado lá fora. E, quando se fala aqui dos "portugueses" , de quem se falanão é de um grupo irresponsável de "especuladores", que a esquerda resolveu diabolizar, mas do Estado, das câmaras, das famílias. Não admira que a dívida externa esteja "em crescimento explosivo" e o crédito a chegar ao fim. pior ainda: como qualquer pródigo,Portugal delapidou uma grande parte do dinheiro que foi arranjando por aqui e por ali em consumo, corrupção e fantasias sem sombra de "racionalidade" económica.
Agira, tem de pagar a conta.
Infelizmente, não ocorreu ao dr.Cavaco que este problema não nasceu ontem.Desde o "25 de Abril", não huve governo, incluindo os dele, que não desse a sua simpática contribuição para a desgraça actual....
...Até que, no dia de Ano Novo, o dr. Cavaco apareceu, convertido às virtudes salvíficas da verdade, e pôs tudo metodicamente em pratos limpos. Muito bem.E depois? Vai com isso apagar o passado?Vai, o eng.Sócrates, comovido, fazer as reformas que não fez? Vai a "classe média" prescindir desta "ponte" e da próxima vaiagem ao Brasil ou do Verão no Algarve? Vai o cidadão comum prescindir dos mil e um direitos que o Estado lhe garantiu? Ou vai, de repente, a nossa "competitividade" aumentar e o primeiro-ministro examinar à lupa o "custo-beneficio" do mais pequeno investimento público?De maneira nenhuma. As pregações não mudam nada, nem ninguém.
Só a experiência muda e esta, que espera os portugueses, será ardente e com certeza que não será politicamente inócua. O dr.Cavaco que se prepare.


Vasco Pulido Valente no Público

Quem É e o Que Faz Ann Iball ?



É uma dedicada colaboradora da Barbearia do senhor luís. A 26ª, imagine!

PS: Peço desculpa ao LNT mas não encontrei o trema. Estarei tramado?

sábado, 3 de janeiro de 2009

Cavaco, Conservador Fora do Tempo


Conservadorismo e Identidade Nacional
1.Uma das notas mais surpreendentes do discurso presidencial foi a referência num tom conservador à “necessidade” de proteger o pequeno comércio que “luta pela sobrevivência” e o “mundo rural”.
No primeiro caso, mais do que as PME’s e o seu dinamismo (tão vitais para o tecido económico português e que tanto têm sido objecto de debate político), Cavaco optou por defender a preservação de um sector específico. Que, como outros sectores tradicionais, tem dificuldades de adaptação que só têm solução quando há capacidade para gerar vantagens competitivas (pela qualidade, pela proximidade, pela diferenciação, ocupando nichos de mercado) e não mantendo artificalmente actividades e postos de trabalho cuja viabilidade é em muitos casos duvidosa. Mais do que preservar o comércio tradicional, talvez seja mais importante, e urgente, pensar na sua renovação, ausente das palavras e do espírito do discurso presidencial. Sem deixar, naturalmente, de olhar para as situações e dificuldades das pessoas que dele vivem, mas também sem a ilusão de que a resposta estrutural para os problemas do sector está na sua “defesa”.
2.Mas o caso mais flagrante deste registo conservador foi talvez o discurso sobre a protecção do mundo rural. Que, segundo Cavavo, seria parte importante da especificidade da nossa identidade nacional quando comparada com outros países.
Na verdade, todos os países europeus tiveram um passado rural; simplesmente, na maior parte deles as dinâmicas de modernização ocorreram muito antes do que sucedeu entre nós e as marcas das ligações à ruralidade há muito que sofreram uma forte erosão ou desapareceram quase por completo. Pelo contrário, em Portugal boa parte da população hoje “urbana” e litoralizada tem ainda pertenças e memórias familiares do mundo rural à distância de poucas (uma, duas) gerações, quando não contemporâneas. Mas, por isso mesmo, estão também muito presentes as razões fortes que os levaram ou aos seus antepassados próximos a procurar novas oportunidades de vida.
Representar colectivamente o “mundo rural” como cristalização de um passado mitificado que é, também em muitos aspectos, símbolo do país atrasado e atávico de há até poucas décadas não defende o “mundo rural”. Pelo contrário, condena-o à estagnação, ao abandono e ao consequente desaparecimento - tendência que vem de longe e que é uma das tendências sociais, económicas e demográficas pesadas dos últimos decénios em Portugal. Importante é, também aqui, insistir num discurso em torno dos caminhos para o desenvolvimento das áreas rurais, com ênfase na inovação e nas necessárias reconfigurações das actividades económicas (agricultura, turimo, sector energético) e não na “defesa” do passado de isolamento e estagnação de largas regiões do país.
3.O pior que poderia acontecer ao mundo rural seria tentar fazer dele um elemento distintivo da “identidade portuguesa”. E o pior que poderia acontecer à identidade nacional seria ser associada, outra vez, a um profundo conservadorismo. Como esta ideia de ruralidade, “tradicional” e virada para o passado - de que muitos fugiram e que outros, mais jovens, pura e simplesmente não (re)conhecerão, nem como realidade nem como referência.

Miguel Cabrita n' O País Relativo